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A Sola Scriptura Realmente Surgiu na Reforma Protestante?

    A sola scriptura não nasceu no século XVI, nem surgiu como ideia revolucionária de Lutero ou Calvino. Na verdade, a Reforma Protestante apenas recuperou algo que já fazia parte da fé cristã desde o início: a Escritura como autoridade suprema, suficiente e infalível. O que a Reforma fez foi reagir a séculos de acúmulo de tradições humanas elevadas ao mesmo nível das Escrituras — ou até acima delas. Portanto, longe de ser uma invenção protestante, a sola scriptura possui raízes bíblicas e históricas profundas.

    A acusação de que a sola scriptura surgiu apenas após a Reforma ignora dois fatos essenciais: primeiro, a própria Bíblia estabelece sua autoridade acima de qualquer tradição; segundo, os primeiros cristãos já viviam sob esse princípio muito antes de existir qualquer denominação.

    jesus sola scriptura

    A Escritura sempre ocupou o centro da fé

    Paulo deixou isso claro em 2 Timóteo 3:16–17 ao afirmar que toda a Escritura é inspirada por Deus e suficiente para conduzir o cristão à maturidade. Ele não escreveu que a Escritura precisa de complemento infalível. Ele declarou que a Escritura torna o servo de Deus “perfeito e plenamente habilitado”.

    No Antigo Testamento, essa mesma lógica aparece. Deuteronômio 4:2 proíbe acrescentar ou retirar palavras da Lei. Josué 1:8 apresenta a Palavra como fonte de prosperidade, Salmos 19:7 descreve a Lei do Senhor como perfeita, dentre muitos outros exemplos.

    Portanto, a Bíblia jamais dividiu seu trono com tradições. Desde o início, a revelação escrita ocupou o centro.


    Jesus viveu sob o princípio da sola scriptura

    Quando Satanás tentou Jesus no deserto, Ele não recorreu à tradição judaica nem ao ensino rabínico. Ele citou exclusivamente a Escritura:

    “Está escrito…”

    Ele repetiu isso três vezes.

    Além disso, em Mateus 22:29, Jesus acusou os líderes religiosos dizendo que eles erravam por não conhecer as Escrituras. Ele não disse que erravam por rejeitar a tradição, o magistério ou qualquer outro recurso.

    Em João 10:35, Jesus declarou:

    “A Escritura não pode falhar.”

    Essa frase encerra qualquer debate. Se Cristo afirmou a infalibilidade da Escritura, então nenhum outro meio pode ocupar esse lugar.

    Logo, a sola scriptura surge da boca do próprio Senhor.


    A Igreja primitiva praticava isso

    Atos 17:11 mostra os bereanos examinando as Escrituras para verificar se o que Paulo pregava era verdade. Eles não diziam: “Paulo é apóstolo, então estamos dispensados de conferir”. Pelo contrário: a autoridade apostólica não substituía a Escritura.

    A verdade não vinha do título da pessoa, mas da conformidade com a Palavra.

    Isso é sola scriptura na prática.


    A Igreja de Éfeso é prova disso

    A carta de Apocalipse mostra algo impressionante: uma igreja que já provava pregadores.

    Jesus disse:

    “Você pôs à prova os que se declaram apóstolos e não são.”

    Essa igreja não tinha sistema centralizado em Roma. Ela não possuía concílios globais. Ela não tinha denominações organizadas. Mesmo assim, sabia identificar falsos ministros.

    Como?

    Por meio da Escritura.

    A igreja não julgava sentimentos, mas doutrina. João reforçou isso em sua epístola ao ordenar:

    “Examinem os espíritos para ver se procedem de Deus.”

    Sem Escritura como árbitro, isso se tornaria impossível.


    A luta contra heresias já exigia Bíblia, não tradição

    No primeiro século, o gnosticismo já tentava infiltrar a Igreja com discurso filosófico e espiritualista. Os gnósticos defendiam que o pecado do corpo não importava, pois apenas o espírito teria valor.

    Paulo destrói essa ideia em 1 Coríntios 6:18–20 ao afirmar que o corpo pertence a Deus. Ou seja, a Escritura corrigia heresias.

    Se a tradição fosse autoridade infalível, o erro não avançaria tanto.


    Jesus confrontou tradições que anulavam a Palavra de Deus

    Jesus não apenas ensinou a Escritura, mas também enfrentou tradições religiosas que distorciam a vontade de Deus. Ele afirmou claramente:

    “Vocês invalidam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.” (Mateus 15:6)

    Essa acusação mostra que tradições humanas podem até parecer piedosas, mas quando entram em choque com a Escritura, perdem qualquer valor espiritual. A autoridade, portanto, não vem de costumes religiosos, mas da Palavra.

    Jesus também corrigiu interpretações adicionadas à Lei. Quando disse:

    “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu porém vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”
    Mateus 5:43

    Ele exibiu um acréscimo humano, pois essa ordem para odiar inimigos nunca apareceu na Lei de Moisés. Em seguida, Ele restaurou a verdade bíblica ao ensinar o amor até mesmo a esse grupo de pessoas.

    Outro exemplo aparece na tradição do corban. Os fariseus criaram uma regra que permitia negligenciar os pais alegando consagração a Deus. Jesus expôs essa prática como desobediência disfarçada de espiritualidade. Podemos ver isso em Marcos 7:11-15

    Portanto, Cristo não combateu a Escritura — Ele combateu tudo o que competia com ela.


    A Reforma não criou — restaurou

    A Reforma não rasgou a história da Igreja. Ela confrontou um sistema que elevava decisões humanas ao nível da Palavra de Deus. Lutero não inventou a sola scriptura; ele a recuperou.

    Quando alguém acusa os protestantes de criar esse princípio, ignora séculos de cristianismo bíblico anterior.


    Conclusão

    – A sola scriptura não nasceu em Wittenberg.
    – Ela nasceu no Sinai.
    – Foi confirmada por Cristo.
    – Sustentou os apóstolos.
    – Protegeu a Igreja primitiva.
    – E ressurgiu na Reforma.

    Quem acusa os protestantes de inventarem a sola scriptura não acusa a Reforma — acusa a própria Bíblia.

    E quem ama a verdade não teme a Palavra.

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