Pular para o conteúdo
Início » Artigos » Tudo que acontece é vontade de Deus?

Tudo que acontece é vontade de Deus?

    Recentemente, eu estava falando do evangelho para um amigo, e ele se declarou um ateu secreto, ou um ateu 007. Segundo ele, estava em dúvida sobre a existência de Deus, mas não queria que eu comentasse com ninguém. Eu concordei, mas continuei falando da Palavra de Deus.

    Com o desenrolar da conversa, fui identificando as áreas que causavam confusão em sua mente. Esses argumentos iam desde a política até a filosofia. Ele disse: “Se Deus existe, por que tantas pessoas sofrem, passam fome?”
    Eu respondi: “Você já se perguntou se é vontade de Deus que elas passem por isso?”
    Ele respondeu: “Ué, mas tudo o que acontece na terra não seria vontade de Deus?”

    livre-arbítrio

    Foi aí que eu percebi todo o arcabouço de ideias que estavam por trás dessa crença.

    A crença popular que moldou gerações

    Em um flashback de alguns segundos, lembrei-me da crença que norteou toda a nossa infância. Era muito comum, em um velório, alguém dizer: “Foi Deus quem o levou”, “Chegou a hora dele partir”, “Esse acidente foi Deus quem quis”, até porque “não cai uma folha de árvore na terra sem Deus permitir”. Muitos, inclusive, achavam que essa frase estava na Bíblia.

    Crescemos com essa ideia na cabeça de que tudo o que acontece é vontade de Deus. Ele estaria lá no céu, com seus cordões de ventríloquo, nos manipulando, controlando o que vemos, pensamos e falamos, fazendo com que pessoas adoeçam, morram, passem fome ou sejam atropeladas. O máximo de bom que Ele faria seria mandar chuva todos os anos e influenciar algumas pessoas a saírem das drogas.

    Conclusões rasas e a falta de checagem

    O que mais me chama atenção é como as pessoas tiram conclusões precipitadas sobre algo que elas não averiguaram o suficiente. Talvez por isso o nosso país seja tão propício às fake news. Basta um vídeo cortado, uma IA mal feita ou um comentário no WhatsApp para que se crie um vilão ou um mocinho. As narrativas se perpetuam como se fossem verdades, e os fatos quase sempre são mal contados e distorcidos.

    Será que não tratamos Deus assim? Ouvimos alguém dizer algo e já saímos repetindo aquela informação sem nem mesmo checar se isso é verdade ou não. Alguém pode perguntar: “Como checar se uma informação sobre Deus é falsa?”
    A resposta é simples: basta olhar para a Sua Palavra.

    Romanos 1:19–20
    “Pois o que se pode conhecer a respeito de Deus é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, isto é, o seu eterno poder e a sua divindade, claramente se reconhecem, desde a criação do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que Deus fez. Por isso, os seres humanos são indesculpáveis.”

    Inclusive, Lucas chega a dizer que os irmãos da cidade de Bereia eram mais nobres que os de outras cidades, pois faziam questão de checar as escrituras:

    Atos 17:11

    Ora, estes de Bereia eram mais nobres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.

    Deus quis se revelar

    Seria impossível acessar Deus sem o Seu consentimento. Ele decidiu que isso fosse possível. Ele quis se manifestar, Ele quis se apresentar a nós. Não ouso dizer que sabemos tudo sobre Deus, mas sabemos aquilo que Ele decidiu revelar por meio da Sua Palavra.

    Sabemos que Ele criou o homem e a mulher perfeitos, sem pecado, para reinarem com Ele por toda a eternidade. Deus preparou tudo. Assim como pais preparam um enxoval para um bebê — berço, lençóis, roupas, fraldas —, Deus preparou o jardim do Éden para a humanidade, com todo o sustento necessário. Ele apenas limitou o homem em uma coisa:

    Gênesis 2:16–17
    “De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá.”

    Aviso é livramento

    Agora me responda: alguém que avisa o outro sobre um perigo quer que ele se livre ou que se dê mal? A primeira opção é a mais plausível. O livramento está no aviso.

    Quando alguém diz: “Você ingeriu bebida alcoólica, não dirija, chame um Uber”, isso é um aviso que visa ao livramento. Se a pessoa insiste em seguir seu próprio plano e se envolve em um acidente, ela mesma se colocou naquela situação. Que tal começarmos a assumir responsabilidades?

    Deuteronômio 30:19
    “Hoje tomo o céu e a terra por testemunhas contra vocês, que lhes propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolham, pois, a vida.”

    Livre-arbítrio e responsabilidade

    Alguém poderia perguntar: “Mas por que Deus colocou aquela bendita árvore no jardim?” Se Ele não tivesse feito isso, o homem nunca teria pecado. Sabemos que Deus procura verdadeiros adoradores (João 4:23–24), e alguém que não tem a possibilidade de não adorar jamais será um verdadeiro adorador. Da mesma forma, um marido precisa ter a possibilidade de adulterar para ser considerado fiel à sua esposa.

    Quando Adão e Eva pecaram, o pecado entrou na humanidade. Eles mereciam a morte física e espiritual, pois isso já havia sido estabelecido no aviso. Contudo, em Sua infinita misericórdia, Deus desviou a maldição para a terra e decidiu acertar as contas com o homem em outro momento: na cruz.

    O homem morreu espiritualmente, perdeu a perfeita comunhão com Deus, passou a ser mortal, mas permaneceu vivo fisicamente.

    A batalha entre carne e espírito

    Em Cristo, somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé. Quem rejeita a obra de Cristo será condenado. Contudo, a nossa carne ainda não foi redimida; o nosso espírito foi. A carne continua sujeita à influência do pecado 24 horas por dia. Por isso, a Bíblia enfatiza tanto a renovação da mente (Romanos 12:1,2) e a consagração espiritual (1 Coríntios 7:35)

    Enquanto estamos na terra, existe uma batalha constante entre o nosso ser espiritual e o nosso ser carnal (Gálatas 5:17). Só experimentamos a perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2) quando damos mais ênfase à parte espiritual.

    Vontade permissiva não é vontade desejada

    As pessoas estão se comportando conforme Deus quer ou fazendo o que bem entendem? Será que acidentes, guerras, fome, miséria e crimes são vontade de Deus?

    Aqui entramos na questão da soberania. Deus concedeu ao homem o livre-arbítrio, a capacidade de escolher entre o bem e o mal.

    Gênesis 4:4–7
    “Se fizer o que é certo, não é verdade que você será aceito? Mas, se não fizer o que é certo, eis que o pecado está à porta.”

    Deus permitiu essa liberdade. Isso se chama vontade permissiva. Permitir não é o mesmo que querer. Se Deus interferisse em todas as escolhas humanas, o livre-arbítrio deixaria de existir.

    Quem governa este sistema

    Quando dizemos que Deus está no controle de tudo, não significa que tudo o que acontece no mundo seja vontade d’Ele, mas que Ele estabeleceu a liberdade do mundo funcionar dessa forma, mas também julgará cada um segundo suas obras. Quando observamos o sistema do mundo, vemos muitas características que não são de Deus, mas do maligno

    2 Coríntios 4:3–4
    “O deus deste mundo cegou o entendimento dos descrentes.”

    Esse “deus deste mundo” não é Jesus, mas o diabo.

    Conclusão

    Não se engane: todos nós prestaremos contas do que fizermos nesta terra.

    Romanos 14:10–12
    “Cada um de nós prestará contas de si mesmo diante de Deus.”

    Seremos julgados segundo as regras d’Ele, não segundo as nossas. Por isso, vale a pena investir tempo para conhecê-las. Deus está disposto a guiar você por caminhos de liberdade e paz. Aproxime-se da Palavra, leia a Bíblia, tenha comunhão com Ele e procure um bom lugar para congregar.

    Deus o abençoe sempre. Amém!

    Por Diego Dantas

    Quer continuar aprendendo? Leia este artigo

    Apoie o Projeto Água em Vinho

    Se este conteúdo abençoou sua vida, considere apoiar o nosso projeto. Você pode contribuir via PIX usando a chave ou o QR Code.

    QR Code para doação via PIX

    Deus abençoe você e sua família! 🙏

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *