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Igreja e Israel: a confusão que destrói a interpretação bíblica (e como a Bíblia resolve em 10 minutos)

    Muita gente mistura tudo quando fala de profecias e de futuro. Porém, a Bíblia não faz confusão, ela possui um contexto. Igreja e Israel não significam a mesma coisa, embora Deus salve judeus e gentios do mesmo jeito, pela fé em Cristo. Além disso, Israel permanece distinto da Igreja por um motivo central e óbvio: Israel, como nação, ainda rejeita Jesus como Messias e, por isso, não pode ser chamado de Igreja enquanto permanece nessa incredulidade nacional.

    Israel e a Igreja

    O ponto que decide tudo: quem reconhece Jesus como Messias?

    A Igreja nasce da fé em Cristo e vive debaixo da Nova Aliança. Logo, “Igreja” descreve o povo que crê em Jesus e se reúne em torno dele.

    “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (João 1:11)

    Esse texto não afirma que nenhum judeu creu. Ele afirma que a recepção nacional falhou. Judeus que creem em Jesus entram na Igreja; mas Israel nacional, enquanto rejeitar o Messias, não vira “Igreja”.

    Ao mesmo tempo, Paulo confirma que Israel recebeu privilégios reais e históricos, mesmo com incredulidade.

    “São israelitas… deles são as alianças… e deles, segundo a carne, veio o Cristo.” (Romanos 9:4–5)

    Portanto, Deus deu a Israel um papel na história da redenção. Contudo, Israel, como corpo nacional, rejeitou o Cristo. Daí nasce a tensão bíblica: mesma salvação em Cristo, mas distinção de identidade e de papel.


    A Igreja: um povo formado na Nova Aliança

    Jesus anuncia a Igreja como obra que ele mesmo edificaria.

    “Edificarei a minha igreja.” (Mateus 16:18)

    Depois, o Espírito Santo forma essa comunidade no livro de Atos. E Paulo explica como alguém entra nesse povo: pela fé.

    “Tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1:13)

    Assim, a Igreja não depende de etnia, circuncisão ou território. Ela depende de Cristo. Portanto, quando alguém diz “Israel virou Igreja automaticamente”, essa pessoa troca o critério bíblico (fé em Cristo) por um critério étnico ou histórico.


    “Dos dois fez um” não apaga judeu e gentio

    Efésios 2:14 costuma aparecer como “prova” de que Israel e Igreja viraram uma coisa só. Só que o texto fala de reconciliação e acesso, não de apagamento identitário.

    “Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um.” (Efésios 2:14)

    O assunto do capítulo envolve: gentios longe, judeus perto, e agora ambos com acesso ao Pai por Cristo (Ef 2:18–19). Logo, Paulo combate a barreira espiritual e cerimonial que impedia comunhão na Nova Aliança. Ele não declara: “Israel nacional agora se tornou Igreja”. Pelo contrário, ele descreve como Cristo une pessoas (judeus e gentios crentes) em um só corpo.


    “Não há judeu nem grego” fala de salvação, não de geografia nem de biologia

    “Não pode haver judeu nem grego…nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28)

    O próprio versículo inclui “homem e mulher”. Logo, Paulo não apaga distinções criacionais ou sociais; ele derruba a ideia de castas espirituais. Então, quando alguém usa Gálatas 3:28 para dizer “Israel deixou de existir como identidade”, essa leitura não respeita o argumento do capítulo: Paulo discute como alguém se justifica e como alguém participa da promessa.


    “Israel de Deus” em Gálatas 6:16: quem é esse Israel?

    Aqui muita gente tropeça porque lê a expressão e já conclui “Igreja”. Só que o contexto da carta envolve o conflito com judaizantes, judeus que perseguiam a liberdade da graça. Assim, quando Paulo fala de uma paz e misericórdia sobre o “Israel de Deus”, ele aponta para o Israel que pertence a Deus pela fé, em contraste com o Israel incrédulo que perseguia a Igreja.

    “E, sobre o Israel de Deus.” (Gálatas 6:16)

    “Israel de Deus” = judeus crentes (remanescente). Essa leitura faz sentido porque Paulo, em Gálatas, não elogia o sistema judaizante; ele o combate. Logo, ele separa o judeu que crê do judeu que rejeita o evangelho.


    Gálatas 4:25: “Jerusalém atual” e o quadro da incredulidade

    Aqui Paulo usa uma alegoria para contrastar escravidão e liberdade, carne e Espírito.

    “A Jerusalém atual… está em escravidão com seus filhos.” (Gálatas 4:25)

    Paulo não ataca “judeus por serem judeus”. Ele confronta a incredulidade e o legalismo com que tentavam capturar os convertidos. E, sim, Israel, enquanto permanece na “Jerusalém atual” da incredulidade, não se identifica com a Igreja.


    Romanos 11: o texto que impede a teologia da substituição

    Aqui o argumento fica impossível de ser “espiritualizado”. Paulo descreve endurecimento parcial, entrada de gentios e restauração futura.

    “Veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios.” (Romanos 11:25)
    “E, assim, todo o Israel será salvo.” (Romanos 11:26)

    Perceba a lógica: se Deus já tivesse terminado o seu plano de redenção com Israel, Paulo não diria “até que”. Além disso, Paulo não chama o endurecimento de final; ele chama de parcial e temporário. Portanto, Israel continua no calendário profético, e a restauração virá quando ocorrer arrependimento nacional. Paulo sempre usa o tempo futuro para se dirigir ao Israel que crerá em Cristo. Ou seja, no atual momento, Israel ainda não faz parte da Igreja.


    Os profetas e a conversão futura de Israel

    Muitos profetas falam sobre a redenção de Israel na volta de Jesus. Zacarias, por exemplo, fala de um mover espiritual que leva Israel ao reconhecimento do Messias.

    “Derramarei… o Espírito de graça… e olharão para mim, a quem traspassaram.” (Zacarias 12:10)

    Esse texto descreve uma virada nacional: lamento e reconhecimento ao Senhor por parte de israel. Então, sim: Israel se converterá como nação na volta de Cristo.

    Zacarias 12:12-14

    …a família da casa de Davi à parte… a família da casa de Natã à parte…a família da casa de Levi à parte…a família dos simeítas à parte…

    Esse versículo mostra que o arrependimento de Israel será individual (cada família separada se arrependerá de sua incredulidade). Por que o texto cita a casa de Davi? Davi representa as autoridades políticas constituídas, como rei, presidente, primeiro- ministro, etc…e por que cita casa de Natã? porque ele é o filho de Davi que remete a descendência messiânica segundo Lucas 3:31. E a casa de Levi? remete aos sacerdotes, as autoridades que tanto perseguiram Jesus em sua primeira vinda, agora irão se render ao Rei dos reis, da mesma forma os simeítas, do clã de Simei, da tribo de Levi. Ou seja, a conversão ao messias será generalizada. Isso não é maravilhoso?


    Conclusão

    A Bíblia não manda escolher entre “Deus salvou gentios” e “Deus ainda tem plano para Israel”. Ela afirma os dois. Deus forma a Igreja por meio da fé em Cristo; ao mesmo tempo, Ele mantém promessas nacionais e proféticas para Israel, e Romanos 11 impede qualquer “substituição” definitiva. Portanto, a distinção não cria arrogância; ela cria precisão. E a chave continua simples: a Igreja se define pela fé em Jesus; Israel nacional permanece distinto porque ainda não recebeu Jesus como Messias. Mas chegará um tempo, em que todos nós reinaremos com Cristo na Terra, Aleluia!

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