A mulher de Apocalipse 17 costuma ser identificada por muitos como a cidade de Roma, principalmente por causa da famosa expressão “sete montes”. Porém, quando alguém lê esse capítulo com atenção e compara com o restante do livro, a interpretação tradicional começa a ruir.
João não escreveu em forma de enigma sem solução. Ele construiu sua mensagem usando símbolos com significado claro dentro do próprio livro. Assim, quem interpreta Apocalipse precisa deixar que o próprio texto ilumine seus termos. Quando fazemos isso, a visão da mulher muda completamente.

A grande cidade aparece claramente em outros capítulos
Apocalipse 17 termina com uma afirmação direta:
“A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.”
Aqui surge a pergunta central: que grande cidade é essa?
Muitos respondem automaticamente: Roma. Contudo, o próprio Apocalipse já havia identificado a “grande cidade” antes.
Em Apocalipse 11:8, o texto afirma:
“Seus corpos ficarão na praça da grande cidade… que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado.”
Cristo não morreu em Roma.
Ele não foi crucificado no Vaticano.
Todos sabemos que Ele morreu em Jerusalém.
Logo, quando João fala da “grande cidade” nesse texto, ele se refere claramente a Jerusalém. O texto não deixa margem para especulação.
Depois, em Apocalipse 16:19, o autor volta a usar a mesma expressão:
“A grande cidade se dividiu em três partes…”
Mais uma vez, o livro não troca personagens nem muda o significado do termo no meio da narrativa. Portanto, quando Apocalipse 17 volta a falar da “grande cidade”, ele não cria outro sentido. Ele conserva o mesmo.
Os sete montes não apontam para uma cidade literal
A defesa de Roma depende quase totalmente da expressão “sete montes”. No entanto, o próprio texto explica o símbolo:
“As sete cabeças são sete montes… e são também sete reis.”
Aqui, João esclarece que os montes não representam geografia, mas reinos. Ele não fala de colinas físicas, mas de estruturas de poder.
Além disso, como já vimos, as cabeças representam reinos, enquanto os chifres representam reis. Logo, o texto não permite que os montes se tornem um endereço. Para entender melhor isso, leia este artigo.
Na Bíblia, monte sempre carrega um significado simbólico:
- monte representa governo
- monte representa autoridade
- monte representa domínio
Isaías fala do “monte do Senhor” como símbolo do governo de Deus. Daniel fala de uma pedra que se torna um monte e enche toda a terra, representando o Reino de Deus.
Portanto, quando Apocalipse fala de montes, o texto fala de poder, não de topografia.
Por que João se espantou ao ver a mulher?
Apocalipse 17 afirma que João ficou admirado ao ver a mulher. Ele não reagiu assim apenas por sua aparência, mas por seu significado.
João não se impressionou com Roma.
Ele conhecia Roma.
Ele vivia sob Roma.
Mas ele se espantou ao ver algo muito mais profundo: a condição espiritual de uma cidade que Deus havia escolhido.
Jerusalém não era uma cidade qualquer. Deus a escolheu, a separou e colocou Seu nome nela. E mesmo assim, ela rejeitou o Messias.
Jesus chorou por Jerusalém e declarou:
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados…” (Mateus 23:37)
João reconheceu a gravidade dessa imagem. Ele viu Jerusalém como Deus a via naquele momento: infiel, religiosa, e espiritualmente corrompida.
A prostituta imita a noiva
Tudo o que Satanás faz carrega imitação. Ele não cria; ele copia. Assim como existe uma trindade falsa (dragão, besta e falso profeta) imitando Pai, Filho e Espírito Santo, também existe uma noiva falsa (prostituta) imitando a noiva verdadeira.
A mulher de Apocalipse 17 não representa apenas uma cidade física, mas um sistema religioso corrupto concentrado em Jerusalém naquela geração.
– Foi em Jerusalém que sacerdotes conspiraram.
– Que líderes rejeitaram Jesus.
– Foi em Jerusalém que disseram: “Não temos rei senão César.”
Portanto, Jerusalém não apenas rejeitou o Messias — ela escolheu outro senhor.
O juízo da Grande Tribulação cai sobre Jerusalém
Os sete anos de tribulação não surgem como um castigo genérico à humanidade. Eles representam juízo direto sobre uma nação que recebeu o privilégio máximo da revelação e mesmo assim rejeitou o Filho de Deus.
O Reino de Deus foi anunciado por sete anos:
- João Batista: 3 anos e meio
- Jesus: 3 anos e meio
O céu ofereceu graça por sete anos.
A nação respondeu com rejeição.
Assim, o juízo também veio por sete anos.
Jesus declarou:
“Eis que a vossa casa ficará deserta.” (Mateus 23:38)
A destruição de Jerusalém não começou com o cerco romano. O processo começou com a rejeição espiritual.
Jerusalém foi cortada, mas será enxertada novamente
Diante de tudo o que já foi exposto, surge uma conclusão inevitável: Deus cortou Jerusalém da videira, mas não a descartou para sempre. Jesus deixou isso claro quando disse que o Reino de Deus seria tirado daquela geração e entregue a outro povo que produziria frutos.
A partir desse momento, Israel saiu do centro das profecias e a Igreja passou a ocupar o protagonismo no plano redentor. Durante séculos, os judeus não apareceram no cenário profético como personagens principais, mas como um povo em espera. Contudo, Deus nunca quebrou suas promessas.
Paulo explica isso usando a figura da oliveira: alguns ramos naturais foram cortados e outros enxertados. O mesmo Deus que removeu, promete restaurar. Assim, Jerusalém permanece fora da videira por um tempo, mas a Palavra garante que a enxertia voltará a acontecer.
A Grande Tribulação marcará justamente esse retorno. Durante esse período, Israel voltará ao centro da história profética. Deus colocará novamente os holofotes sobre Jerusalém. O endurecimento cairá. O véu se rasgará. O povo começará a enxergar o Messias que seus líderes rejeitaram.
No final da Tribulação, a Bíblia anuncia algo poderoso: um remanescente se voltará para Cristo. Essa parcela do povo judeu reconhecerá Jesus como Senhor e Salvador. O mesmo povo que gritou “crucifica-o” agora abrirá o coração e confessará o nome que antes negou.
Jesus deixou isso registrado quando declarou que não voltaria a Jerusalém até ouvir do próprio povo:
Porque eu vos digo que, desde agora, não me vereis mais, ATÉ QUE digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.”
(Mateus 23:39)
Conclusão
A Bíblia não encerra a história de Jerusalém com rejeição, mas com restauração. Embora a cidade tenha recusado o Messias em sua primeira vinda, Deus não a abandonou. Ele apenas suspendeu seu papel central por um tempo.
Na primeira vinda, Jerusalém fechou as portas.
Na segunda, ela O receberá.
Deus não descarta promessas.
Ele apenas cumpre cada uma no tempo certo.
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