Pular para o conteúdo
Início » Artigos » Não é só culto: por que o diabo quer você longe da igreja

Não é só culto: por que o diabo quer você longe da igreja

    Vivemos um tempo curioso — e perigoso. Nunca se falou tanto de Deus, e ao mesmo tempo nunca foi tão comum ouvir que não é preciso congregar. A fé continua, a oração permanece, a leitura bíblica existe, mas o vínculo com a igreja local vai sendo deixado de lado. Muitos dizem: “Deus habita em mim, não preciso ir ao templo”. Outros carregam feridas, frustrações e decepções reais. Ainda assim, quando colocamos tudo à luz das Escrituras, percebemos que o abandono do congregar nunca foi o plano de Deus.

    desigrejados

    Hoje, o ataque mais sutil contra o cristianismo não acontece nas doutrinas centrais — a divindade de Cristo, a graça ou a salvação. Esses pontos já estão bem estabelecidos. O ataque acontece na eclesiologia, ou seja, na compreensão da vida em comunhão. O inimigo sabe que um cristão isolado enfraquece com o tempo, mesmo sendo sincero, piedoso e bem-intencionado.

    1. Decepção, feridas e abuso espiritual

    Muitos deixam de congregar porque se feriram dentro da igreja. Alguns sofreram abusos de autoridade, outros viveram experiências dolorosas, injustiças ou frustrações profundas. Esse ponto exige sensibilidade. A dor é real. O sofrimento não deve ser minimizado. Muitos líderes oprimem pessoas em vez de liderá-las. Em alguns casos extremos, é necessário, sim, mudar de igreja por causa de situações como essas, que infelizmente ainda acontecem.

    No entanto, a Bíblia nunca apresenta o isolamento como solução para a dor. Pelo contrário, ela aponta para cura, restauração e maturidade dentro do corpo. Pessoas falham, líderes erram, mas Cristo não abandona Sua Igreja. Ele continua sendo o Cabeça. Sempre haverá um bom lugar para te acolher.

    2. “Não preciso congregar” — um entendimento equivocado

    Outro argumento comum diz: “A igreja sou eu”. Sim, Deus habita em nós pelo Espírito. No entanto, a Escritura não separa espiritualidade de comunhão. Ser templo do Espírito não elimina a necessidade do corpo. Pelo contrário, nos conecta a ele.

    A fé cristã nunca foi individualista. Desde o início, Deus formou um povo. A ideia de um cristão autossuficiente, que cresce sozinho e se corrige sozinho, não aparece na Bíblia. Crescimento espiritual exige confronto, ensino, correção e encorajamento — e isso acontece no convívio.

    O certo é que há muitos membros, mas um só corpo.
    Os olhos não podem dizer à mão: “Não precisamos de você.” E a cabeça não pode dizer aos pés: “Não preciso de vocês.”

    1 Coríntios 12:20,21

    3. Comodidade e a falsa substituição do culto online

    Os cultos online cumprem um papel importante. Ajudam enfermos, pessoas em viagem, novos convertidos e até quem busca conhecer a fé. O problema surge quando o virtual substitui permanentemente o presencial.

    A comodidade cria uma fé confortável, mas não transforma caráter. A tela não confronta, não discipula e não gera vínculos profundos. Comunhão exige presença, relacionamento e compromisso. Nenhuma transmissão substitui o partir do pão, o abraço, a oração conjunta e o serviço mútuo.

    4. Discordâncias doutrinárias

    É importante congregarmos em um lugar onde concordemos com a doutrina que é pregada. Pessoas mudam de denominação por esse motivo, e isso está tudo bem, desde que seja feito com educação e respeito entre as partes. Entretanto, nem toda discordância exige ruptura. Maturidade espiritual aprende a lidar com diferenças secundárias sem abandonar o essencial. Um membro que não se submete a opiniões contrárias por birra precisa urgentemente amadurecer.

    Além disso, nenhuma igreja local será perfeita. Se alguém procura uma comunidade sem falhas, jamais encontrará. O Novo Testamento mostra igrejas cheias de problemas — e, ainda assim, Deus nunca orientou seus membros a abandoná-las, mas a amadurecer nelas. Veja só esse exemplo:

      Peço a Evódia e peço a Síntique que, no Senhor, tenham o mesmo modo de pensar.

      Filipenses 4:2

      Provavelmente havia um conflito entre Evódia e Síntique, que não era heresia nem pecado moral explícito, mas uma divergência relacional. Paulo não toma partido, ele chama as duas à unidade em Cristo, não à vitória pessoal. A expressão “Mesmo modo de pensar” não significa pensar igual em tudo, mas submeter a relação ao Senhor, deixar as contendas de lado e ceder à opinião do outro.

      5. Rebeldia disfarçada de liberdade

      Em alguns casos, o problema não é abuso e nem teologia, mas resistência à autoridade. Congregação implica submissão, prestação de contas e correção. O coração humano, por natureza, resiste a isso.

      A rebeldia se apresenta como independência espiritual, mas produz isolamento. A Escritura ensina que autoridade espiritual, quando exercida de forma saudável, protege, orienta e guarda.

      6. Outras causas silenciosas

      Além dessas, surgem ainda o esfriamento espiritual, o excesso de atividades, o cansaço emocional e até o orgulho disfarçado de maturidade. Aos poucos, a pessoa se convence de que não precisa mais de ninguém.

      Nesse ponto, o inimigo já venceu uma batalha importante.

      “Não deixem de congregar” — a Palavra final das Escrituras

      “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.”
      (Hebreus 10:25)

      O autor de Hebreus escreveu essas palavras a cristãos perseguidos, cansados e tentados a se esconder. Mesmo assim, ele não suavizou o conselho. Ele foi direto: não deixem de congregar.

      Jesus, mesmo perseguido, frequentava a sinagoga. A igreja de Atos se reunia todos os dias. Paulo plantava igrejas, fortalecia líderes e voltava para encorajar os irmãos. O padrão bíblico sempre foi comunhão.

      A palavra-chave é comunhão. E comunhão nunca foi fácil. Ela envolve pessoas diferentes, ritmos diferentes, temperamentos distintos. Ainda assim, é nesse ambiente que Deus molda caráter, revela dons e corrige rotas.

      Sem congregar, não recebemos correção pastoral. Sem congregar, não desenvolvemos plenamente nosso chamado. Ninguém cresce sozinho no Corpo de Cristo.

      A Bíblia compara o cristão a uma ovelha. A ovelha isolada vira presa fácil. Pastoreio não controla, protege. Estar debaixo de cobertura espiritual traz segurança para nós e para nossa família.

      O diabo trabalha para criar uma falsa sensação de autossuficiência: “Você já tem tudo”. No entanto, a vida não se resume a conforto. Deus nos chamou para algo que ecoa na eternidade. Muitas áreas da nossa vida só se desenvolvem com a ajuda de outros. Moisés falava face a face com Deus, mas precisou ouvir Jetro para não morrer de exaustão. Deus usa pessoas para nos ajustar.

      Não deixem de congregar. Não porque a igreja seja perfeita, mas porque Deus escolheu agir através dela.

      Por Diego Dantas

      Continue Aprendendo:

      Apoie o Projeto Água em Vinho

      Se este conteúdo abençoou sua vida, considere apoiar o nosso projeto. Você pode contribuir via PIX usando a chave ou o QR Code.

      QR Code para doação via PIX

      Deus abençoe você e sua família! 🙏

      Deixe um comentário

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *